Os apóstolos Paulo e João escreveram sobre isso; David e Salomão escreveram sobre isso.
Seja citando Jesus ou partilhando o que o Espírito Santo colocou nos seus corações, o que importa é a importância de algo que deve estar no centro da vida cristã: agradar a Deus.
1. Qual a importância de “agradar a Deus”?
Os cristãos que aceitaram Jesus Cristo como seu Salvador pessoal podem regozijar-se com a certeza de que os seus pecados foram lavados e que as suas transgressões lhes foram removidas e atiradas “tão longe quanto o oriente está do ocidente” (Salmo 103:12).
Esta é, claro, uma notícia maravilhosa! No entanto, uma vez que a salvação está garantida para o seu destino eterno, alguns cristãos esquecem-se de contemplar as suas escolhas atuais e futuras na vida. Na pior das hipóteses, acreditam que as suas ações e decisões se tornaram invisíveis e irrelevantes para Deus, por causa da salvação. Mas Deus vê tudo o que fazemos (Hebreus 4:13; Provérbios 5:21; Jó 28:24; 34:21). Isto é uma bênção, porque é o Seu envolvimento diário nas nossas vidas que nos proporciona conforto, força e orientação. No entanto, será que gostaríamos realmente que o nosso Senhor Jesus visse as pessoas por quem Ele morreu na cruz regressarem alegremente ao seu antigo estilo de vida pecaminoso? Cometendo novos pecados, sabendo o quanto que Jesus já sofreu por eles? A sério mesmo?!
Este artigo analisa as escolhas que fazemos no dia a dia e pondera sobre o porquê de devermos dar prioridade a agradar a Deus em vez de agradar a nós próprios.
2. Quem disse o quê sobre agradar a Deus?
É Paulo quem revela a componente mais importante para agradar a Deus: a fé. “Sem fé é impossível agradar a Deus”, escreve em Hebreus 11:6.
Paulo diz-nos também qual é o obstáculo mais evidente entre nós e agradar a Deus: a nossa carne. “Os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:8).
Exorta os Tessalonicenses a “agradar a Deus” (1 Tessalonicenses 4:1) e diz aos Coríntios (em 2 Coríntios 5:9) que devemos “ter por objetivo agradar-Lhe” onde quer que estejamos.
João ouvira Jesus falar sobre fazer a vontade de Deus (João 5:30 e, mais obviamente, em João 8:29) e usou esse ensinamento numa das suas cartas (1 João 3:22) em relação à oração: “Tudo o que pedimos, d’Ele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe agrada” – sugerindo que NÃO fazer “o que Lhe agrada” afetará o resultado das nossas orações.
Salomão faz eco disto em Provérbios 16:7, onde sugere que agradar a Deus pode até produzir bênçãos pelas quais não oramos: “Quando os caminhos do homem agradam ao Senhor, ele faz com que até os seus inimigos tenham paz com ele” (Provérbios 16:7).
David cometeu vários erros na sua vida, mas o seu coração estava voltado para Deus e para Lhe agradar. Ao compreender que “o Senhor se agrada dos que o temem” (Salmo 147:11), o objetivo de David era garantir que Deus visse as suas intenções (Salmo 19:14; 40:8).
3. O que significa “agradar a Deus” na MINHA vida?
Quando consideramos como agradar aos nossos pais, irmãos, cônjuge, amigos ou colegas de trabalho, a maioria de nós sabe muito bem o que lhes agradará e o que não. Sabemos isto porque temos um relacionamento íntimo com essas pessoas. Conhecemo-las há muito tempo e descobrimos o que as faz felizes e o que não. Sabemos de que presentes gostam, que alimentos provavelmente vão pedir nos restaurantes, com que cores pintar a casa, flores de que gostam, destinos de férias, etc. etc.
Dada a importância de agradar a Deus, devemos fazer o mesmo esforço para descobrir o que Deus gosta e o que não gosta. Ter fé é o primeiro passo, mas responder ao maior dom que receberemos na vida – ser salvo por Jesus – exige que nos esforcemos muito mais por Deus.
“Agradar a Deus” tem a ver com as coisas que fazemos e com as coisas que não fazemos.
Respondemos ao apelo de Jesus para pregar o Evangelho (Mateus 28:19, Marcos 16:15, João 15:16); observamos os Seus mandamentos (João 14:15) e procuramos demonstrar o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22-23).
Não permitimos que a nossa carne determine as nossas ações (portanto, nada de “imoralidade sexual, impureza, sensualidade, idolatria, feitiçaria, inimizade, brigas, ciúmes, acessos de ira, rivalidades, dissensões, divisões, inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes”) porque, como continua este versículo (Gálatas 5:21), “como antes vos preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus”. E porque seria que “os que praticam tais coisas” não herdariam o Reino de Deus? Bem, porque “tais coisas” não agradam a Deus, de todo.
Todo o mal precisa de ser removido, para dar lugar à “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17).
4. A nossa incapacidade de agradar a Deus pode fazer-nos perder a salvação?
A maioria dos estudiosos cristãos concorda que não, mas deve perguntar-se seriamente porque deseja causar sofrimento ao Senhor. É nosso papel mostrar-Lhe gratidão pelo que Jesus fez por nós. Assim, se tem tendência para, digamos, ciúmes, ataques de
fúria, [e/ou] rivalidades, deve fazer um esforço deliberado para acabar com isso. Não precisa de o fazer sozinho, lembre-se: “tudo o que pedimos, d’Ele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe agrada”. Mas o seu desejo de Lhe agradar deve vir “do coração” (Efésios 6:6) – deve ser VOCÊ quem está determinado a acabar com esta “inveja, birras, [e/ou] rivalidades”, e deve ser você quem está empenhado em fazer com que funcione. Esperar que Deus remova qualquer ciúme, birras ou rivalidades do seu coração e ficar sentado enquanto Ele faz com que isso aconteça não é “agradar a Deus”.
Será que o fracasso em agradar a Deus pode fazer com que a sua salvação lhe seja retirada? Bem, não, se é um cristão nascido de novo, não se encontrará diante do grande trono branco descrito em Apocalipse 20:11-15.
Mas “todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal praticado por meio do corpo” (2 Coríntios 5:10). Este ‘receber o que nos é devido’ REFLETIRÁ as nossas ações. É imprudente não procurar agradar a Deus.
5. Devemos tentar agradar a Deus porque O tememos?
Deus é um Deus amoroso, que nos amou tanto que deu o Seu Filho Unigénito, “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Como acima referido, esta promessa mantém-se.
Não precisamos de temer a Deus depois de aceitarmos Jesus como nosso Senhor. Mas as nossas ações não são isentas de consequências. Deus ajudar-nos-á SIM a lidar com os problemas, “pois é Deus quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13), mas precisamos de nos esforçar, tentando “discernir o que é agradável ao Senhor” (Efésios 5:8 – e, por favor, leia a advertência completa de Paulo em Efésios 5:3-9 sobre quem NÃO herdará o Reino de Cristo e de Deus).
O apóstolo Paulo não enfatiza o medo, mas a disposição que deve motivar a nossa decisão de agradar a Deus: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrompida e pervertida, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo, apegados à Palavra da Vida” (Filipenses 2:14-16).
Deixemos que Paulo tenha a palavra final sobre o assunto: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:1-2).

