Todos os dias, fazemos inúmeras escolhas. Algumas delas são apenas práticas, como a que horas acordar ou que roupa vestir. Nestes casos, uma opção pode ser mais sensata do que outra — é sensato sair da cama à hora certa se precisar de ir trabalhar e, se estiver a chover, é inteligente usar uma capa de chuva ou levar um guarda-chuva. Mas, com este tipo de escolha, não existe um verdadeiro “certo” ou “errado”.
É diferente com escolhas morais ou éticas. Existem determinados padrões e valores aos quais devemos aderir. O Salmo 34:13-14, por exemplo, diz:
“Guarda a tua língua do mal
e os teus lábios de falarem enganosamente.
Aparta-te do mal e faz o bem;
procura a paz e segue-a.”
Outro exemplo pode ser encontrado em Filipenses 4:8:
“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai.”
Por isso, importa como vivemos, como tratamos as outras pessoas e como nos relacionamos com o nosso Criador. Podemos fazer escolhas boas ou más a este respeito, e seremos responsabilizados por elas. “Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.” (Eclesiastes 12:14)
Podemos fazer boas escolhas?
A Bíblia fala em termos radicais sobre as pessoas que vivem sem Deus. Estão “mortas em delitos e pecados” (Efésios 2:1; 2:4-5). Isto não significa que estas pessoas estejam fisicamente mortas, mas que lhes falta a capacidade de fazer as escolhas certas e de viver bem. Por natureza, as pessoas vagueiam como peixes mortos, “seguindo o curso deste mundo, seguindo o príncipe das potestades do ar, o espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2). Romanos 5:6 chama-lhes “fracos” ou “desamparados”. Tito 3:3 descreve-os como “insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros”. Todas estas afirmações não se referem a um grupo específico de pessoas que vivem vidas particularmente más. Pelo contrário, Paulo diz que os crentes também costumavam ser assim, assim como os outros (Tito 3:3; Efésios 2:2-3). O quadro que aqui se apresenta de nós, humanos, é, pois, bastante desanimador.
Mas a nossa situação não é desesperada. Deus está disposto a “vivificar-nos” e a libertar-nos. Como resultado, podemos começar a viver de forma radicalmente diferente.
Fazendo boas escolhas
Quando nós, como crentes, fazemos boas escolhas, é porque o Espírito de Deus está a operar em nós. Isto não significa que não tenhamos um papel a desempenhar.
Quando éramos pecadores, Deus vivificou-nos através do Seu Espírito Santo. Como pessoas espiritualmente mortas, não havia nada que pudéssemos contribuir para a nossa salvação. No entanto, uma vez salvos, estamos espiritualmente vivos e a servir ativamente a Deus. Não somos apenas passivos na nossa vida cristã. O texto básico que fala sobre isto é Filipenses 2:12-13: “… operai a vossa salvação com temor e tremor, porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” É Deus que opera em nós o querer. Portanto, esta é uma afirmação direta de que as nossas boas escolhas são obra do Espírito Santo. Mas nós realizamo-las. Estamos envolvidos. O Espírito Santo está a operar em nós e nós andamos alegremente no caminho de Deus.
Fazer más escolhas
Por outro lado, quando fazemos más escolhas, é claro que isso não é por causa do Espírito Santo. Tiago 1:13-14 diz: “Ninguém, sendo tentado, diga: ‘De Deus sou tentado’. Porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” Mesmo quando nascemos de novo e o Espírito Santo habita em nós, ainda há resquícios de pecado que nos influenciam. São os nossos próprios desejos pecaminosos que nos levam a fazer escolhas erradas. Devemos continuar a lutar contra esses desejos.
Culpa
Agora pode estar a perguntar-se: se só podemos fazer o bem quando o Espírito Santo está a operar em nós, porque é que Deus nos culpa quando fazemos algo de errado? Não podemos evitar, pois não?
Embora sem a intervenção de Deus não consigamos não pecar, não somos forçados a fazê-lo por Deus ou por nada externo. De facto, quando Deus criou os primeiros humanos, estes eram de facto capazes de fazer o bem. São os nossos próprios corações pecaminosos que nos levam a fazer o mal. Portanto, a culpa dos nossos erros é nossa.
Escolha bem
As suas escolhas fazem a diferença. Escolha bem e crescerá na sua fé e conhecimento do Senhor. Escolha mal e verá a sua consciência endurecer e a chama do Espírito Santo apagar-se na sua vida. Por isso, ore para que o Espírito Santo o ajude a viver uma vida que honre a Deus. E trabalhe com todas as suas forças para O servir.
