Será que Deus favorece pessoas ricas?

O Antigo Testamento contém muitas leis sobre sacrifícios, tanto de animais quanto de grãos, azeite ou vinho. As pessoas deveriam trazer sacrifícios a Deus em ocasiões especiais, como festas religiosas, o nascimento de um bebê ou quando cometessem um pecado específico. A maioria desses sacrifícios eram os mesmos para todos, veja por exemplo Êxodo 30:15:

O rico não dará mais, e o pobre não dará menos da metade do siclo, quando derem a oferta alçada ao Senhor, para fazer expiação por vossas almas”.

Alguns sacrifícios, no entanto, dependiam da situação econômica de cada um. Um exemplo é o sacrifício que uma mulher deve trazer após o parto. Ela deveria trazer um cordeiro e um pombo ou uma rola. No entanto, a lei continua, “Mas, se em sua mão não houver recursos para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos” (Levítico 12:6-8, para outro exemplo, veja Levítico 14:10 e 14:21-22). Um de nossos leitores levantou a questão se Deus favoreceria as pessoas ricas que podem pagar os sacrifícios mais caros sobre as pessoas pobres que podem apenas pagar a alternativa mais barata.

Perspectiva histórica

Antes de responder a esta pergunta, deixe-me explicar que as leis sobre sacrifícios, conforme escritas no Antigo Testamento, foram cumpridas em Jesus. Os crentes de hoje não precisam mais trazer sacrifícios. No entanto, a questão ainda é relevante, pois Deus nos encoraja a ser generosos com Ele, com os irmãos crentes e com as pessoas necessitadas. Então, será que Deus favorece as pessoas que doam muito dinheiro para a igreja sobre as pessoas que são pobres demais para doar qualquer coisa?

Não podemos nos resgatar

Visto que todos os humanos pecaram, todos são culpados diante de Deus e merecem a morte. Mas esse problema não pode ser resolvido oferecendo a Deus nossos objetos de valor. As pessoas ricas não são privilegiadas aqui. Vamos ler o que diz o Salmo 49:5-10 sobre este tema:

Por que temerei eu nos dias maus,
quando me cercar a iniqüidade dos que me armam ciladas?
Aqueles que confiam na sua fazenda,
e se gloriam na multidão das suas riquezas,
deles de modo algum pode remir a seu irmão,
ou dar a Deus o resgate dele.
Pois a redenção da sua alma é caríssima,
e cessará para sempre,
Para que viva para sempre,
e não veja corrupção.
Porque ele vê que os sábios morrem;
perecem igualmente tanto o louco como o brutal,
e deixam a outros os seus bens.”

Nosso relacionamento com Deus não pode ser restaurado pagando dinheiro. Não podemos resgatar nossa vida. Mas Jesus Cristo pagou o preço em nosso favor: “Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10:45). Ele nos convida a crer nEle e ser salvos, de graça: “quem quiser tome sem preço a água da vida” (Apocalipse 22:17).

Deus não mostra parcialidade

Outra forte prova de que Deus não favorece os ricos sobre os pobres, são Suas leis sobre julgamento justo e governo. Romanos 2:11 afirma claramente: Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas”, e isso se reflete em Suas leis para juízes e governantes humanos. Em Deuteronômio 16:18-19, o Senhor ordena ao povo de Israel: “Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o Senhor teu Deus te der entre as tuas tribos, para que julguem o povo com juízo de justiça. Não torcerás o juízo, não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas [subornos]; porquanto a peita [o suborno] cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos.”

Já que o próprio Deus é absolutamente justo, Ele não aceita nosso dinheiro ou posses como uma espécie de suborno. Ele não leva em conta nossa riqueza, mas julga nosso coração e nossa mente (ver Jeremias 11:20).

Deus não precisa do nosso dinheiro, Ele quer o nosso coração

A Bíblia deixa claro que Deus não precisa de nosso dinheiro ou posses. Por exemplo, no Salmo 50:12-13, onde Deus diz:

Se eu tivesse fome, não to diria,
meu é o mundo e toda a sua plenitude.
Comerei eu carne de touros?
ou beberei sangue de bodes?

Em Oséias 6:6, Deus declara:

Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício;
e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos
”.

Assim, embora Deus tenha ordenado vários sacrifícios, estes só têm valor como expressão do amor das pessoas por Deus, de sua gratidão ou arrependimento. Deus não favorece os ricos porque eles trazem sacrifícios mais caros.

Deus valoriza nossa atitude em vez da quantidade de dinheiro que doamos

Em geral, a generosidade é agradável aos olhos de Deus. Podemos servir a Deus com a riqueza que Ele nos deu. Mas, na realidade, isso é mais um sinal sobre nossa atitude do que sobre a quantidade de dinheiro que damos.

Quando Jesus e Seus discípulos se sentaram no portão do templo, eles viram como as pessoas davam seu dinheiro. O livro de Marcos registra:

“E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.
E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;
Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.” (Marcos 12:41-44).

Então, Jesus valorizou o pequeno presente da viúva, porque mostrava seu profundo amor por Deus. Este presente quase não tinha qualquer valor financeiro, mas teve um grande valor para Deus.

Deixe-me citar mais um texto bíblico sobre este tópico. Vem da carta de Paulo aos Coríntios:

“E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” (2 Coríntios 9:6-7).

Então, Deus aprecia nossa oferta se damos alegremente e por amor a Ele e a nossos semelhantes. Isso é mais importante do que a quantidade de dinheiro que oferecemos.

Conclusão

A Bíblia nos ensina muito sobre a atitude de Deus para com as pessoas ricas e pobres. Resumindo:

  • Ser rico ou pobre não tem qualquer influência na questão de sermos salvos
  • Deus não precisa do nosso dinheiro ou posses. Ele quer a devoção do nosso coração
  • A generosidade agrada a Deus. Mas a generosidade tem mais a ver com a atitude do seu coração do que com o valor financeiro do seu presente.

 

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